Tenho lido muitas críticas ao programa de Anthony Bourdain, No Reservations, em Lisboa. A maioria das críticas é porque Bourdain não retratou, segundo estes, o melhor de Lisboa, como se Bourdain habitualmente fizesse esse frete às cidades retratadas. Ou tenho muito azar nos programas que vejo, que não são todos, ou o que encontro é mais ou menos o que vi no programa sobre Lisboa. A cidade da forma como os locais a vêm, de forma exagerada, que é a imagem de marca do programa. No Reservations não é um guia turístico. É um programa de gastronomia com pessoas. Aliás, a gastronomia é o pretexto para falar com e de pessoas. As pessoas falam de crise. Não queriam que mostrassem o que aflige as pessoas? Paciência. As pessoas usam camisolas do Benfica no seu dia-a-dia, qual é o problema? É mentira?
Se há crítica que se pode fazer ao programa, e aqui acho que foi um pouco contra a ideia original do mesmo, foi algum foco excessivo nos chefs da moda. Do que tenho visto nos outros programas não é muito habitual. Não sendo de Lisboa e conhecendo-a mal, acho que existem locais de comida – No Reservations não é sobre restaurantes – mais característicos e que faziam mais justiça ao programa e à cidade.