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Ago 06
publicado por brmf, às 11:30link do post | comentar

Juridicamente não sei quem tem razão, se o Belenenses se o GIl Vicente. O que sei é que é de muito mau grado a atitude do Belenenses, pelo menos, moralmente. O Gil Vicente ganhou em campo. O Mateus, salvo erro, não teve qualquer influência na permanência do Gil; jogou meia dúzia de minutos, não marcou nenhum golo e o Gil não ganhou nenhum jogo com ele em campo.


Mas a questão mais intrigante é a atitude de FiFA como muito bem explicou Marcelo Rebelo de Sousa no seu programa semanal. A FIFA é nada mais nada menos que um entidade mafiosa. Utiliza as mesmas armas que a máfia. A máfia utiliza a coacção física e até a morte para calar os que ameaçam o seu poder. A FIFA “suborna” os clubes para que mantenham o silêncio e não recorram a tribunais comuns. Ou seja, compra o silêncio de clubes e federações. Veja-se o que aconteceu no caso Calciocaos com a Juventus, onde a FIFA ameaçou a federação italiana com a suspensão dos clubes e selecção de Itália das competições internacionais. De uma forma indirecta “comprou” o silêncio da Juventus.


Agora com o caso Mateus volta a utilizar as suas armas tipicamente mafiosas. Ameaçando a federação portuguesa, está a tentar comprar o silêncio do Gil Vicente. Se mais não fosse, só por isto o Gil devia levar as suas intenções avante.


Tal como diz Marcelo o “ mundo do futebol tem vivido à margem do mundo do direito em geral”.

 
Marcelo Rebelo de Sousa:


Num Estado de direito democrático o que é habitual é que haja recurso para os tribunais de tudo o que não é estritamente do foro interno de uma corporação. Mas a FIFA é uma empresa multinacional. O problema é entre, de um lado, a Constituição e a lei do Estado português e, do outro, as regras de uma multinacional do futebol.



É evidente que quem devia ganhar são as regras do Estado de direito. Senão, um dia uma multinacional qualquer cria regras a nível internacional para que os seus clientes, trabalhadores e fornecedores vão contra as leis quer da UE quer do Estado. Como é que se dá a volta a isto? Se a Federação ou a Liga desrespeitarem o tribunal, podem até estar a cometer crime. Mas, por outro lado, alternativa é as equipas portuguesas serem todas suspensas? A prazo, o Governo e os clubes deviam, como no "caso Bosman", colocar em tribunal europeu a seguinte questão: "A que título é possível uma regra que corta para todo o sempre um direito fundamental dos cidadãos portugueses e europeus?". A juíza pode fazer isso. Colocar ao Tribunal Europeu uma questão prévia sobre se esta regra da FIFA, aplicada na Europa, respeita o direito fundamental consagrado nas constituições dos Estados da UE. Ou, ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, para saber se respeita os direitos consagrados na Constituição Portuguesa.” (DN)


A questão é mesmo esta levantada por Marcelo. A propósito de quê uma multinacional pode criar regras autónomas de um Estado de Direito? Eu sei que o Futebol é emocionalmente muito envolvente, mas haja bom senso. Prefiro ver as equipas portuguesas e a selecção nacional temporariamente fora das competições internacionais em favor do cumprimento das regras do que uma subjugação ao poder da máfia.

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