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Nov 06
publicado por brmf, às 18:19link do post | comentar

Depois destes fait-divers sobre futebol, é tempo de voltar a assuntos sérios. O referendo sobre a despenalização do Aborto até às 10 semanas é um deles.

 

Tanto de um lado como de outro esgrimem-se argumentos, muitos dos quais demagógicos. Se do lado do SIM se ouvem dizer barbaridades do género “A barriga é minha, faço dela o que quiser”; do lado do NÃO ouvem-se outro género de barbaridades ainda mais trágico-cómicas: por exemplo, comparando um feto a uma vida humana e, ao mesmo tempo, concordando com a lei actual; para existir coerência neste argumento é necessário ser-se contra o Aborto em qualquer situação (violação, má formação do feto, etc.), pois uma pessoa deficiente tem tanto direito a viver como um não deficiente; concordando com a lei actual e equiparando um feto a um nado-vivo está-se a dizer que algumas vidas são mais importantes que outras.

 

Dito isto, eu vou votar SIM pelo simples facto de eu não ir votar entre o direito a abortar ou não. Eu vou votar entre a situação actual e a situação proposta. Abortos já existem. O que se deve fazer é regular a situação. Como alguém disse e muito bem, o que está em causa não é o que cada um pensa. Está em causa o que o Estado deve fazer.

 

Para concluir, transcrevo um parágrafo de um artigo de Esther Mucznick publicado no jornal o Público do dia 27 de Outubro. Como não escreveria nada melhor, e como me revejo completamente neste excerto do artigo, aqui fica a minha posição sobre o referendo ao Aborto:

« (…) votarei a favor com a consciência clara de que a aplicação da lei despenalizando a interrupção voluntária da gravidez dentro das normas definidas apenas contribuirá para que este se faça em condições de segurança para as mulheres que a ele recorram. Não fará aumentar nem diminuir os abortos, que sempre existiram e continuarão a existir – apesar de todos os meios contraceptivos hoje existentes -, não fará aumentar nem diminuir a natalidade. Esta tem a ver com os valores que defendemos, com a valorização do papel individual e social da maternidade, com a possibilidade de conciliação desta com a participação social e política da mulher. Tem a ver com a forma como encaramos as relações entre os sexos, com uma ética de comportamento, com a responsabilidade dos nossos actos. Tem a ver com as convicções pessoais e religiosas, com a consciência individual de cada um. A lei não obriga, não incita, nem cria a realidade, apenas reconhece e regulamenta a já existente. (…) » 

[bolds meus; link do artigo indisponível]

Secções:

É o Estado que vai pagar o aborto.
Elise a 7 de Novembro de 2006 às 16:52

Cara Elise,

Isso é outra discussão. Não discuto o financiamento do SNS. Existem muitas coisas que o Estado paga e, na minha opinião, mal.

O que digo no post é que é necessário regular a situação existente, de forma a eliminar a clandestinidade. O facto de os abortos passarem a ser regulados não significa obrigatoriamente que tenham que ser pagos pelo SNS. Eu sei que é isso que vai acontecer, mas este post centra-se noutra discussão.

Então diz-me: se o aborto não fosse pago pelo Estado, serias a favor da alteração da lei?

brmf a 7 de Novembro de 2006 às 17:14

Eu votaria não, mesmo que cada mulher pagasse o seu aborto. Mas sobre isso publicarei posts em dezembro , no meu blog. Abraço
Elise a 9 de Novembro de 2006 às 12:25

Cá esperamos esses posts.
Abraço.
brmf a 9 de Novembro de 2006 às 12:29

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