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Jul 06
publicado por brmf, às 18:10link do post | comentar | ver comentários (2)

Deixando de lado a polémica dos exames nacionais, que, a meu ver, tem vários pontos que não podem ser desprezados, como por exemplo, a justiça no acesso ao ensino superior, a alteração de regras a meio do jogo, programas curriculares distintos em simultâneo, etc., vou focar-me no sistema de avaliação, reproduzindo uma opinião da Juventude Comunista:


"A JCP – Juventude Comunista Portuguesa considera os exames e testes nacionais um grave obstáculo ao sistema de educação público, gratuito e de qualidade que o Abril de 74 trouxe aos jovens portugueses. Ao menosprezar a avaliação contínua, os exames colocam em causa a justiça do sistema de avaliação."


Para a JC, os exames nacionais colocam em causa a justiça do sistema de avaliação, esquecendo-se que a avaliação contínua, e creio que se referem a itens não exclusivamente de conhecimento, como por exemplo: assiduidade, pontualidade, bom comportamento, etc. são muito mais, ou podem ser, injustos (a minha interpretação pode ser abusiva, mas não me parece pelo teor do texto). Estes itens estão muito mais dependentes da interpretação do avaliador do que qualquer exame quantificável do conhecimento.


E ainda, existe outra questão: o que deve ser avaliado, o conhecimento ou o desempenho em vários itens? A este respeito, lembro-me de uma vez um professor meu de Direito Fiscal (creio não estar enganado) ter dito que a ele não lhe interessava se os alunos iam muito ou pouco às aulas, o que ele queria era que soubessem o que fora ensinado nas aulas, independentemente de como aprenderam, nas aulas ou autodidacticamente. Mais: para ele, entre dois alunos que tivessem o mesmo resultado dava mais valor àquele que não ia às aulas (mas não diferenciava nas notas).
E a verdade é que não deixa de ter uma certa razão. Se um aluno não vai às aulas e consegue a mesma nota, saberá provavelmente mais do que aquele que sempre foi às aulas. Se sem ir consegue esse resultado, imaginem se fosse. Além de que, a aprendizagem autodidacta é mais perdurável no tempo.


Não quero dizer que a avaliação apenas deve avaliar o conhecimento, mas tem que avaliar acima de tudo o conhecimento. Eu acredito num sistema que ensine, não acredito num sistema que eduque. Isso cabe a outros que não a escola, principalmente se falarmos em alunos entre os 15 a 20 anos (já bem crescidos para os professores fazerem o trabalho que deveria caber a outros).


É verdade que os exames nacionais trazem um certo grau de pressão que pode prejudicar alguns alunos menos habituados a tal e aos quais se deve reduzir os efeitos dessa pressão. Mas não avaliar é muito mais injusto.

Contudo a pérola da JC vem depois:

"Os exames nacionais, favorecendo aqueles que dispõem de meios financeiros para pagar explicações e aulas paralelas, afectam a igualdade de acesso ao ensino superior e concorrem para a elitização do Ensino"

Ou seja, para não corrermos o risco de elitizar o ensino e para uma plena justiça social: Viva os Doutores.

 

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