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Jul 08
publicado por brmf, às 12:24link do post | comentar

É um facto que Portugal está a passar por uma crise, a par do que se passa no resto da Europa. Aqui, pior ainda. Mas também é um facto que em Portugal a crise aparenta ser pior do que o que realmente é, porque somos um país pobre com hábitos de rico. E quando se é pobre e vive-se à rica, a percepção da crise aumenta. Quando se é pobre e vive-se de acordo com esse estado a coisa vai-se arranjando…as ilusões não são demasiadas. Mas quando se é pobre e pavoneia-se riqueza, qualquer diminuição a essa fruição de riqueza é um abalo.

 

Todas as estatísticas nos dão como os mais pobres da Europa a 15 – e vamos a caminho de ser os mais pobres da Europa a 27. Mas todas as estatísticas nos dão no topo em muitos indicadores que não passam de mera ostentação de riqueza.

 

Alguns exemplos:
- Somos o 7º país da Europa 27 em taxa de penetração do serviço telefónico móvel e o 2º em utilização de serviços UMTS (telemóveis de 3ª geração) (fonte:Anacom);
- 4º País com maior % de carros por habitante da Europa a 25 em 2004 (fonte: Eurostat);
- 0 5º país da Europa em penetração da banda larga de acesso à Internet (fonte:Anacom);
- Estamos muito bem posicionados em % de km´s de auto-estradas face à área do território (não consegui aceder aos números exactos);
- Em Portugal estamos 21% acima da média da União Europeia quanto ao número de portugueses que vivem em casa própria (fonte: Eurostat via governo). Este indicador é curioso porque não parece que um score melhor neste indicador tenha relação directa com a riqueza do país, muito pelo contrário (a Estonia, Lituânia, Hungria, Espanha e Eslovénia são os países com maior proporção de pessoas que vivem em casa própria). Estes não são, nem de perto nem de longe, os países mais abastados da União Europeia.

 

Bem, poderiam arranjar-se outros indicadores que – creio – não nos envergonhariam. É um facto que Portugal é um dos países mais desiguais da Europa – as estatísticas europeias assim o confirmam -, mas é facto, também, que somos uns vaidosos – somos, somos! E isto começa nos governos, com os “políticos corta-fitas”; passa pelas autarquias (os autarcas portugueses dão-se ao ridículo de fazer rotundas em vias onde não existem entroncamentos só com o objectivo de colocar um qualquer monumento ou chafariz de gosto muito duvidoso); e acaba nos cidadãos.

 

 


Temos bens a mais para a riqueza que produzimos. E quando se analisa a crise, é bom que não nos esqueçamos disto. A aparência da crise em Portugal é maior do que realmente ela é. É que não são os ricos que contribuem para estes rankings, porque se assim fosse vínhamos bem cá para baixo. É que os ricos são poucos e os pobres muitos. Viver assim ilude-nos. Desçamos à terra. Note-se que não acho nada mal que vivamos assim - sejamos felizes! -, mas não nos queixemos.

 

A informação foi retirada daqui:I, II, III, IV, V

 

(publicado também aqui)
 


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