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Jan 09
publicado por brmf, às 17:25link do post | comentar

Ponto prévio: não sou economista. Mas não sendo economista, não sou estúpido. Sei perfeitamente que não se deve gastar o que não se tem. No secundário e já na faculdade, os professores, quando estavam a falar da gestão orçamental do Governo, referiam sempre, previamente, que gerir o orçamento do Estado era mais ou menos como gerir um orçamento familiar. Despesas de um lado, receitas do outro. Mas, pelo que ouço do primeiro-ministro, isto não é bem assim. Burros, estes professores! Às famílias aconselha-se poupar; para o Governo recomenda-se gastar. Segundo Sócrates, “não fazer investimento público é moralmente errado” – quase que me dava vómitos quando ouvi isto. Imaginem um pai que deixa de herança aos filhos um conjunto de dívidas. Rico pai!, pensarão todos. Rico Governo!, penso eu. Segunda melhor frase da entrevista – a melhor vem já a seguir -: “o critério para o investimento público é se este é bom ou mau” – mais vómitos!. Como é possível um primeiro-ministro usar desta leviandade ao onerar a vida das gerações futuras e limitar as suas escolhas? Bom ou mau? Fica ao critério de cada um. Agora, finalmente, a melhor frase da entrevista: “salvaremos as empresas que pudermos”. Bem, isto é de levar às lágrimas (sabem quando tentamos vomitar e os olhos começam a lacrimejar? – foi assim que eu me senti). Salvaremos as que pudermos. Critérios? Não. Descobrimos que existem pessoas, sejam individuais ou colectivas, que não estão em situação de igualdade perante o Estado. Equidade? Para quê? Se o Primeiro-ministro José Sócrates achar que a empresa deve ser salva, salvaremos; se ele achar que não, deixa-se ir ao charco. Por estes dias, recomenda-se ser amigo de José Sócrates e seus muchachos.

 

Ao fim da noite, no programa Prós e Contras, o ministro Augusto Santos Silva disse que “neste momento os portugueses precisam do Estado” – ou seja, precisam que o Estado lhes dê cabo dos impostos. O Estado de um lado, o povo do outro. E pensava eu que o Estado éramos todos nós. Permitam-me corrigir o ministro, o que os portugueses precisam é que o “Estado” não lhes atrapalhe a vida. Isso sim.
 

(publicado tambémaqui)


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