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Mar 09
publicado por brmf, às 09:30link do post | comentar

As medidas apresentadas pelo governo para a crise são, basicamente, salvo distracção minha, duas: linhas de crédito para as empresas e investimento público. Ambas erradas. Mesmo não sendo economista, não é difícil de reparar que estas medidas são erradas e que não resolvem os problemas. Pior, agrava-os.

Ao contrário do que diz Guilherme de Oliveira Martins, Presidente do Tribunal de Contas, a aplicação do “método de tentativa e erro” é um disparate, e caro. Em determinados momentos mais vale não fazer nada do que correr o risco de fazer mal. E, neste caso, a alternativa é entre não fazer e fazer mal. O risco está de parte, porque o risco implicaria a possibilidade de fazer bem, o que não é o caso.

 

A solução das linhas de crédito, neste momento, com as empresas hiper-endividadas, é dar a corda aos que se querem enforcar. É dar a corda e passar o atestado de óbito de seguida. È um presente envenenado; senão, vejamos: as linhas de crédito são dívidas sobre dívidas. Por um lado, não resolvem o problema, porque à excepção de uma mísera parte que tem as contas mais ou menos em dia e aproveitará o dinheiro para investir em soluções sistémicas, por exemplo em I&D, na maioria dos casos servirá para pagar o que devem e protelar as dívidas; por outro, é uma forma de sugerir aos empresários, se forem espertos, que entreguem a empresa aos credores enquanto é tempo e fechem as portas. A entrada de dinheiro vivo vai alavancar ficticiamente o valor da empresa e dar aos empresários a possibilidade de saírem do negócio de peito erguido: entregam a empresa aos credores enquanto vale alguma coisa antes que chegue o dia da cobrança. Esta é a estratégia do “agiota da aldeia”: empresta dinheiro quando a pessoa já está com a corda ao pescoço e depois, como ela não pode pagar, fica com tudo. Isto é um grande negócio, só que não é para as empresas, principalmente para as PME´s que não têm como lutar de igual para igual com as grandes. É, isso sim, sem dúvidas, um grande negócio para a banca.

 

Relativamente ao investimento público é outro disparate que mais tarde ou mais cedo se vai pagar caro; e os actuais governantes do PS vão assistir da poltrona, aconchegados nas suas reformas abastadas ou nos seus novos cargos milionários. É protelar a crise no tempo. Acho que é da mais elementar prudência que os investimentos sejam feitos quando as instituições têm capital para os financiar, caso contrário, vão viver sempre com as calças na mão. O Estado Português não tem um chavo furado e mete-se a esbanjar dinheiro em obras públicas não prioritárias, favorecendo os amigos do regime. As empresas que vão lucrar são a meia dúzia de sempre, nomeadamente nos sectores da banca, da construção civil, talvez algumas empresas de base tecnológica e pouco mais.

 

Sabem o que me apetece dizer? Habituemo-nos. É que olhamos para o lado e não vemos nenhuma alternativa capaz de alterar este estado deprimente da governação. O PSD é outra face da moeda do PS, mas a mesma moeda. A esquerda folclórica e a esquerda ortodoxa são óptimas no seu púlpito oposicionista, mas já sabemos que só estão bem ai. O pessoal do pullover conservador e beato é isso mesmo: conservador e beato. É o nosso destino.

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