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Out 09
publicado por brmf, às 18:45link do post | comentar

JMT elabora no seu artigo desta semana, no DN, uma tese que “só quem acredita que a Bíblia tem alguma relação com a palavra de Deus está habilitado para sobre ela fazer considerações éticas.” Segundo ele, só os crentes podem julgar o conteúdo da bíblia. Aos outros cabe apenas uma perspectiva estética da obra, ou seja, se é boa ou má literatura. Regra geral, aprecio as crónicas do JMT, mas desta vez não tem razão. Era o que mais faltava que um não crente não pudesse fazer um julgamento crítico do conteúdo de um livro. Saramago não estaria “habilitado” (seria incoerência) se julgasse Deus enquanto referência religiosa, mas Saramago limitou-se a fazer considerações sobre Deus enquanto personagem de uma obra literária. O que Saramago disse refere-se ao “Deus da bíblia”. Não fala de Deus enquanto figura religiosa. Fala de Deus enquanto personagem literária. Nada mais. E relativamente a isso tem todo o direito de o fazer. Se está certo ou errado é outra conversa.

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