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Set 12
publicado por brmf, às 20:08link do post | comentar

Não sei se já o disse, mas o dia 15 de Setembro representou a minha primeira ida a uma manifestação política, acho que até foi a primeira de qualquer tipo. Como não sou nem tenho espirito de “manifestante profissional”, não foi algo que fiz de ânimo leve. Confesso que não me senti à vontade nos gestos, nas palavras e nos movimentos. Mas não me senti mal, muito pelo contrário. Aquela não foi uma manifestação qualquer. Foi uma manifestação que teve pouco de “profissional” e este é o maior elogio que se lhe pode fazer. Muito silenciosa para o habitual das manifestações. O sinal mais preocupante foi-nos dado pela angústia do seu silêncio. O melhor sinal foi-nos dado pelos seus resultados: a mais gravosa e austera medida (para os trabalhadores, claro) de todo o "dito" plano de ajustamento, que nada tinha a ver com resolver o problema do défice e da dívida pública, nem sequer com a decisão do TC, foi chumbada nas ruas e o Governo recuou na sua aplicação. Sabe bem sentir que fomos importantes.

 

«A manifestação do fim-de-semana passado não tinha sido convocada como marcha silenciosa. Mas, em muitos pontos do percurso - e assisti a toda ela de um ponto de vista fico, ou seja, ela passou toda por mim - esta foi uma manifestação muito silenciosa. É verdade de havia alguns slogans jocosos escritos em cartazes, é verdade que houve arremedos de palavrões atirados contra Pedro Passos Coelho e Vítor Gaspar - que, na maior parte das vezes, caíram em saco roto. É verdade que se gritou, por momentos, vários, alto e bom som, o clássico «O povo unido jamais será vencido». Mas se o ritmo desta manifestação fosse medido por um electrocardiograma, ele teria um ritmo muito calmo e regular.

O silêncio impôs-se, acabando por revelar o que estava por detrás de toda a mobilização a que assistimos. O desalento. A tristeza. A incredulidade. E uma certa falta de esperança. Tenho para mim que isso tudo se deveu à estocada final do novo regime da TSU, cujo ferro, depois de espetado nas nossas costas, foi rodado e escarafunchado pela fraqueza no discurso, pose e explicações de quem nos governa.

Esta foi uma manifestação séria, num país sério, de gente que decidiu mostrar, de forma séria, que está seriamente descontente com o que se está a passar. Do meu ponto de vista privilegiado, vi gente sobretudo da classe média urbana com muita vontade de dizer o que pensa, com muita vontade de exercer a pluralidade democrática, com muita vontade de fazer-se ouvir... mas com muito poucas forças para gritar. Gente de classe média, repito. Que lutou pela sua vida e, nessa luta, pelo progresso do país. Gente que trabalhou para um futuro melhor e agora está a vê-lo cada vez mais inseguro. Gente que foi até à Praça de Espanha e depois voltou para trás, dever cumprido, missão atingida. Gente de paz. Gente sem mais nenhuma ideologia que não fosse a do viver do dia-a-dia - e já é tanto.»

Silêncio e tanta gente. Muita, mesmo muita”, Catarina Carvalho, NM


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