07
Dez 12
publicado por brmf, às 14:32link do post | comentar

"(...)reformas douradas (7%) representam 28% do montante total pago em reformas. Resta saber quantos destes realmente descontaram o suficiente para justificar receber este montante e quanto recebem estas reformas apenas por cumprirem alguns anos em organismos públicos ou cargos políticos. Infeliz e convenientemente, esses dados não estão disponíveis." (CGP, n´A Montanha de Sísifo)

Sem surpresa.


15
Out 12
publicado por brmf, às 10:41link do post | comentar

Excelente entrevista da qual destaco (mas vale a pena ler tudo):

 

"Os votos em branco – e não as abstenções – deviam estar representados no parlamento por lugares vazios. Tinha duas vantagens. A primeira era trazer pessoas que não votam para dentro do sistema – qualquer dia temos uma vastíssima maioria de pessoas que nem vota, e isso é muito grave do ponto de vista da legitimidade democrática. Em segundo, levaria a que os partidos competissem entre eles, mas também que ganhassem confiança do seu eleitorado. Assim eles estão relativamente indiferentes ao aumento da abstenção. Além disso, uma pessoa – e já me aconteceu a mim – que vai votar e vota em branco tem, politicamente um voto muito significativo, quiçá mais do que votar num partido, porque significa que não dá confiança a nenhum dos partidos. No entanto, é democrata e foi votar. Mas hoje esse voto soma às abstenções, o que é uma mentira."

 

À distância, pode dizer-se que foi um dos melhores ministros das finanças que este País já conheceu. Ele avisou e poucos o escutaram - faço mea culpa.


12
Out 12
publicado por brmf, às 14:49link do post | comentar

Eu também faço parte de uma “raça de homens” que paga o que deve. Mas o problema não é esse. O problema é que o Estado, por culpas várias, não pode pagar a toda a gente que deve no prazo estipulado. E este governo tem escolhido sempre pagar aos credores financeiros da dívida pública. E nunca aos credores de trabalho, quer aqueles que descontaram toda a vida para ter uma reforma condizente, quer todos aqueles que têm vindo a ver os seus rendimentos brutalmente reduzidos apesar dos contratos sociais e laborais assinados e que entretanto foram “rasgados”.

A escolha é entre não pagar ou pagar tarde e mal. Eu sei que qualquer escolha é péssima, mas, infelizmente, não temos alternativa. Como estão as coisas corremos o risco de não pagar nada. Estamos na presença de um ciclo vicioso, apesar do governo nos querer vender a ideia do ciclo virtuoso.


25
Set 12
publicado por brmf, às 20:08link do post | comentar

Não sei se já o disse, mas o dia 15 de Setembro representou a minha primeira ida a uma manifestação política, acho que até foi a primeira de qualquer tipo. Como não sou nem tenho espirito de “manifestante profissional”, não foi algo que fiz de ânimo leve. Confesso que não me senti à vontade nos gestos, nas palavras e nos movimentos. Mas não me senti mal, muito pelo contrário. Aquela não foi uma manifestação qualquer. Foi uma manifestação que teve pouco de “profissional” e este é o maior elogio que se lhe pode fazer. Muito silenciosa para o habitual das manifestações. O sinal mais preocupante foi-nos dado pela angústia do seu silêncio. O melhor sinal foi-nos dado pelos seus resultados: a mais gravosa e austera medida (para os trabalhadores, claro) de todo o "dito" plano de ajustamento, que nada tinha a ver com resolver o problema do défice e da dívida pública, nem sequer com a decisão do TC, foi chumbada nas ruas e o Governo recuou na sua aplicação. Sabe bem sentir que fomos importantes.

 

«A manifestação do fim-de-semana passado não tinha sido convocada como marcha silenciosa. Mas, em muitos pontos do percurso - e assisti a toda ela de um ponto de vista fico, ou seja, ela passou toda por mim - esta foi uma manifestação muito silenciosa. É verdade de havia alguns slogans jocosos escritos em cartazes, é verdade que houve arremedos de palavrões atirados contra Pedro Passos Coelho e Vítor Gaspar - que, na maior parte das vezes, caíram em saco roto. É verdade que se gritou, por momentos, vários, alto e bom som, o clássico «O povo unido jamais será vencido». Mas se o ritmo desta manifestação fosse medido por um electrocardiograma, ele teria um ritmo muito calmo e regular.

O silêncio impôs-se, acabando por revelar o que estava por detrás de toda a mobilização a que assistimos. O desalento. A tristeza. A incredulidade. E uma certa falta de esperança. Tenho para mim que isso tudo se deveu à estocada final do novo regime da TSU, cujo ferro, depois de espetado nas nossas costas, foi rodado e escarafunchado pela fraqueza no discurso, pose e explicações de quem nos governa.

Esta foi uma manifestação séria, num país sério, de gente que decidiu mostrar, de forma séria, que está seriamente descontente com o que se está a passar. Do meu ponto de vista privilegiado, vi gente sobretudo da classe média urbana com muita vontade de dizer o que pensa, com muita vontade de exercer a pluralidade democrática, com muita vontade de fazer-se ouvir... mas com muito poucas forças para gritar. Gente de classe média, repito. Que lutou pela sua vida e, nessa luta, pelo progresso do país. Gente que trabalhou para um futuro melhor e agora está a vê-lo cada vez mais inseguro. Gente que foi até à Praça de Espanha e depois voltou para trás, dever cumprido, missão atingida. Gente de paz. Gente sem mais nenhuma ideologia que não fosse a do viver do dia-a-dia - e já é tanto.»

Silêncio e tanta gente. Muita, mesmo muita”, Catarina Carvalho, NM


14
Set 12
publicado por brmf, às 19:54link do post | comentar

1. Porque a mais gravosa e austera medida (para os trabalhadores, claro) de todo o "dito" plano de ajustamento nada tem que ver com resolver o problema do défice e da dívida pública;

2. Porque as ideias não são sarna, não são contagiosas; Não, eu não sou dos que defendem que não devemos cumprir os nossos compromissos, que acha que os contratos são para rasgar. Não! Mas também não aceito que existam uns contratos mais importantes do que outros só por causa da distinta força ou poder das partes contratantes. E já se “rasgaram” vários contratos. Não aceito uma política de forte com os fracos e fraco com os fortes.


publicado por brmf, às 12:45link do post | comentar

Lembrar a todos aqueles que amanhã vão ficar em casa: a mais gravosa e austera medida (para os trabalhadores, claro) de todo o "dito" plano de ajustamento nada tem que ver com resolver o problema do défice e da dívida pública, nem sequer com a decisão do TC. Tem um impacto nulo ou quase nulo no défice e consequentemente na dívida. Daí que o argumento de chamar à discussão Sócrates e o antigo governo não fazer qualquer sentido, excepto o de atirar areia para os olhos das pessoas. A alteração das responsabilidades (empregador vs trabalhador) com a TSU é uma opção política e uma experiência económica da (ir)responsabilidade deste governo e da tripla Gaspar-Passos-Portas.

 

 

 No Porto, a concentração é às 17h nos Aliados.

 

10
Set 12
publicado por brmf, às 19:30link do post | comentar

"Decompondo o efeito dos descontos para a Segurança Social" [LA-C, A Destreza das Dúvidas]

« (...)

Fica a pergunta: com esta descida de salários vai-se reduzir o desemprego de forma relevante? Duvido muito. Em primeiro lugar, já havia, e há, isenções nos descontos para a SS em novas contratações, especialmente aquelas de que beneficiassem jovens à procura de primeiro emprego e desempregados de longa duração. A essas contratações, esta nova medida (quase) nada acrescenta.
Em segundo, o mais relevante desta medida é o valor total dos descontos para a SS. Ora esse vai aumentar, e não diminuir. Para perceber isso note que ao trabalhador o que interessa é o salário que recebe, após descontos. Para a empresa, o relevante é o custo total, ou seja salário mais despesas com SS. Pelas discussões que tenho tido, vejo que há tantas dificuldades em entender isto que me vejo obrigado a dar um exemplo muito simples: Imagine que uma empresa oferece a um desempregado um ordenado líquido de 1000. Quanto vai custar esse novo trabalhador à empresa? Com as novas regras, os custos totais serão de 1439,02, com as regras antigas os custos seriam1390,45. É só fazer as contas. Ou seja, com as novas regras, a contratação fica mais cara. Se a empresa quiser contratar um novo trabalhador por um dado salário líquido tem de gastar mais dinheiro. Isto não é um incentivo, é um desincentivo a novas contratações.
(...) »

03
Nov 10
publicado por brmf, às 21:25link do post | comentar

A Economia é uma espécie de ciência oculta: as previsões são uma questão de crença. O que hoje é verdade, tal como diria o grande Pimenta Machado, amanhã é mentira. Os últimos dias assim o indicam. Todas as previsões apontavam para uma reacção positiva dos mercados à aprovação do Orçamento de Estado. A realidade vem demonstrando o contrário. Tenho uma solução: colocar sob a responsabilidade de contabilistas a política económica do País. O contabilista regista entradas e saídas: a realidade concreta. O economista estuda os fluxos, algo meio abstracto, obscuro, e que justifica tudo, até o contrário do que antes tinha predito. Chegou a hora dos contabilistas (ou dos merceeiros).

 


29
Out 10
publicado por brmf, às 01:15link do post | comentar

Os árbitros estão chateados porque terão de ”começar a pagar, a partir de 2011 e por causa do novo Código Contributivo da Segurança Social, 183 euros para esta entidade (caso não descontem já por outra actividade), ao mesmo tempo que farão retenção na fonte de 20 por cento do que ganham na arbitragem - a maior parte recebe menos de 200 euros”.

 

Beltrano é trolha, trabalha numa construtora multinacional, dessas que tem a sigla “SA” no fim. Aos sábados faz uns biscates. Beltrano é sério e não foge aos impostos. Tem rendimentos de um trabalho a contrato (emprego na multinacional) e rendimentos provenientes de trabalho prestado em regime de recibos verdes (biscates). A recibos verdes ganha cerca de 200€ (50€ por sábado) e faz retenção na fonte a 21,5% (nem estou a perceber, no caso dos árbitros, a retenção a 20% - acho que é erro jornalístico). Não desconta para a SS pelos rendimentos recebidos a recibos verdes porque já desconta na actividade prestada a contrato. Se não fosse empregado da multinacional teria de o fazer.

Qual é a diferença para os srs. Árbitros? Se existe alguma coisa a reclamar é com quem paga – paga pouco; não é com quem cobra impostos – cobra tanto como a todos os outros contribuintes; a menos que a reclamação não tenha a ver com um pedido de regime de excepção para os árbitros, mas com o sistema fiscal na sua totalidade. Mas não me parece.

 

Venha de lá um Espanhol. Desse que não conhece o caminho para a Taverna do Infante.


24
Out 10
publicado por brmf, às 13:00link do post | comentar | ver comentários (2)

De tanto se falar no FMI, e nas desgraças que se anunciam se eles vierem por aí abaixo, que até dá vontade que isso aconteça. Como diz o Tiririca, pior que está não fica. Ao menos os cortes que fizerem, por pior que sejam, não vão cheirar a protecção dos boys e amigos do regime. E só por isso, se calhar, até vale a pena. É pr´a desgraça, é p´ra desgraça. É mais ou menos molho de grelos na sopa da populaça.


30
Jul 10
publicado por brmf, às 16:24link do post | comentar

Face ao silêncio, depreende-se que os liberais-mais-à-séria-se-a-agenda-for-anti-Sócrates não acreditam nas agências de rating.


06
Mar 09
publicado por brmf, às 10:19link do post | comentar

Entrevista a Peter Cohen sobre as ajudas do Estado ao sistema financeiro norte-americano:

 

«I think the Obama stimulus plan is 64% stimulus, 36% wasteful tax cuts. The plan to keep throwing money into zombie banks is a waste of money. We are forgetting the purpose which is two fold: get lending going (for which I would create new banks) and clean up toxic waste (which I would fix by letting the FDIC buy the, say 15%, of bad mortgages within a typical mortgage-backed security).
(…)
To start new banks would require fresh capital, new management, outsourced computer systems, and rented empty buildings from failed companies. These new banks would have no toxic waste on their balance sheets and would have a powerful profit incentive to lend out their capital and attract new deposits. The new banks would be able to provide credit which the zombie banks have chosen not to provide. Since those zombie banks get taxpayer money and are not lending it out, the taxpayer money is being wasted.»

 

Ler a entrevista na íntegra AQUI


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