28
Set 09
publicado por brmf, às 18:33link do post | comentar

1. PS e CDS são os vencedores deste processo eleitoral, mais até o CDS pela questão das expectativas criadas. O CDS teve um resultado extraordinário (alguma sorte também, conquistou os últimos deputados distribuídos por “meia-dúzia” de votos, por apenas meio ponto percentual a mais que o BE conseguiu mais cinco deputados que os bloquistas): é o único partido que possibilita ao PS uma maioria absoluta se coligado. O bloco vence com amargura: ver o CDS à sua frente ainda lhes deve estar a causar azia a esta hora; e também porque as sondagens criaram expectativas não fundadas nos bloquistas. A CDU perde porque não conseguiu amealhar o voto de descontentamento e vê-se ultrapassado, passando a 5ª força política. O PSD perde em toda a linha. O PS ganha porque é o partido mais votado e porque – parece que os analistas estão esquecidos – os resultados foram próximos das últimas sondagens (seis pontos de diferença face ao segundo), o que há dias atrás ninguém se atreveria a chamar de derrota eleitoral.

 

2. Lamentável o discurso de Louçã na noite de ontem. Quem acusa Sócrates de arrogância e depois faz um discurso daquelas só pode não ter espelho em casa.

 

3. Grande vitória do CDS mas, infelizmente, não vejo isso como um grande prenúncio. A mudança que se impõe ao partido vai continuar na gaveta. Os jovens que já não se revêem no discurso conservador e tradicionalista do CDS vão continuar a não ter um partido de direita liberal a quem recorrer. Mais: a vitória do CDS mostra que ainda existe uma fatia significativa do eleitorado que é permeável ao discurso mais radical da direita conservadora: trilogia emigração-preguiça-criminalidade.

 

4. Os resultados confirmam que a base sociológica do País é de esquerda e que só em condições excepcionais é que um partido de centro-direita pode ganhar umas eleições legislativas em Portugal.

 

5. Impressionante: os discursos no poiso dos comunistas na noite de ontem. Nem uma pontinha de humildade a dizer que os resultados ficaram aquém dos esperados.

 

6. Dispensável o frete de Sócrates a António Costa no momento das comemorações. Lisboa é importante mas existem centenas de câmaras em disputa. Lembrei-me da Elisa Ferreira e do que deveria estar a sentir.

 

7. Duvido que a legislatura dure quatro anos.

 

8. Momentos-chave da campanha: debate Louçã-Sócrates na TV e demissão do assessor de imprensa do Presidente da Republica. Sócrates estancou a sangria de votos para a esquerda radical e o PSD viu esfumar-se o seu discurso da “asfixia democrática”.

 

9. Avizinham-se tempos difíceis no PSD, o que se calhar até é bom. Há momentos na vida que é preciso bater no fundo para nos reerguermos. O PSD vai ter passar por um “processo de desintoxicação”.

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ricochete


24
Set 09
publicado por brmf, às 20:24link do post | comentar

Antes de explicar as razões do meu sentido de voto, tenho de confessar que, salvo erro, e as votações em que participei não foram assim tantas para estar enganado, é a primeira vez que voto no PS. Votei sempre CDS ou PSD, aliás, acho que só votei no PSD nas Presidenciais (nas presidenciais não se vota num partido, mas votei no candidato que esse partido apoiava) – e bem me arrependi -, de resto votei sempre CDS. Votei porque não concordando sempre com as suas propostas, nomeadamente no que diz respeito às questões “ético-morais” ou questões ditas “fracturantes”, achei que era um partido que merecia “peso” no parlamento. Mas desta vez não o vou fazer. Hesitei o meu voto entre o PS e o CDS. Mas quando vejo o CDS afirmar que só fará coligações com o PSD, tenho medo, tenho muito medo. Não percebo esta táctica do CDS. Expliquem-me lá muito bem em que é que o actual PSD está mais próximo do CDS do que o PS. Não consigo perceber. EU vi os debates Louçã-MFL e Louçã-Sócrates, mas acho que os populares não viram. Eu vi a MFL a concordar com 80% das coisas que o demagogo Louçã dizia. Eu vi isso tudo. Não percebo como é que o CDS não viu. Além disso, estou farto do discurso populista do Paulo Portas quando fala em segurança, no RSI, na emigração, entre outros assuntos que apelam aos sentimentos mais básicos e irracionais da população.

 

Mas voto no PS também por outras razões. Voto no PS porque acho que é preciso ter muita lata para dizer que o PS teve condições de governabilidade ímpares quando assistimos à maior crise mundial do último meio século. Voto no PS porque acho que o PS tomou atitudes corajosas. Mexeu em poderes instalados que - todos falam - mas nenhum teve coragem de atacar. Fez reformas positivas na administração pública e na saúde. Deu alguns passos positivos na educação. Entre muitas outras coisas, tais como:
- inglês em todas as escolas do ensino primário;
- programa Inov-Jovem;
- programa Novas Oportunidades;
- algumas políticas de emprego, como o princípio da procura activa de emprego, os programas ocupacionais destinados a desempregados subsidiados, o apoio à criação do próprio emprego pelos desempregados subsidiados, etc (salvo erro, acho que foram todas medidas deste governo, mas se não foram, foi este governo que fez alguma coisa que se visse nesta área);
- o apoio ao SIM no referendo sobre a despenalização do aborto.

 

Podia elencar muitas outras medidas, mas acho que já ficou aqui um bom argumentário na defesa do meu voto.

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ricochete


22
Set 09
publicado por brmf, às 14:33link do post | comentar

... não quero que a esquerda radical tenha mais peso do que aquele que deve ter.

...votar no PSD é não saber no que votar.

...não quero uma País onde os mais pobres tenham de mendigar comida.

 

Tentarei voltar ao assunto (oxalá o tempo o permita) antes do dia das eleições.


09
Set 09
publicado por brmf, às 19:45link do post | comentar

Loucã vs Sócrates

 

Aquele que eu previa como o melhor confronto deste ciclo de debates a dois antes das legislativas, confirmou-se. Mas surpreendeu-me. Naquele que era, à partida, o debate mais  difícil de José Sócrates, este superou-se e ganhou por KO técnico. Sócrates conseguiu acantonar Louçã no seu radicalismo ideológico, sem que este conseguisse daí sair.  A dadas tantas já não se sabia o que estava em julgamento, se a governação de José Sócrates e o seu governo PS, se o programa eleitoral do BE. A todos os títulos, brilhante. O homem é, de facto, um feroz comunicador político. Será que chega para governar Portugal? Chegar, não chega; mas que ajuda, lá isso ajuda. A política é feita também por palavras, discursos, debates, persuasão, comunicação e - tomem lá - um pouco de propaganda.

Mais: para quem tinha dúvidas sobre em quem votar, se Manuela Ferreira Leite, se José Sócrates, os debates Sócrates-Louçã e MFL-Louçã foram muito clarificadores. José Sócrates é mais determinado e prepara-se muito melhor do que MFL (será que a MFL leu o programa do BE?). Além de que os últimos dias vieram colocar em cheque os últimos - únicos - argumentos do PSD nesta campanha eleitoral, aquela lenga-lenga da "política de verdade" e da "asfixia democrática". Foi o prego que faltava no caixão deste PSD. José Sócrates, ontem, provou que merece continuar a ser Primeiro-Ministro de Portugal; só que sem maioria absoluta. O CDS-PP emparelha bem: a liberdade nos costumes e uma mundividência aberta e moderna do PS sem a asfixia - aqui sim, asfixia! - estatal e fiscal socialista.


08
Set 09
publicado por brmf, às 15:06link do post | comentar

O melhor confronto deste ciclo de debates a dois antes das legislativas está marcado para hoje: José Sócrates - Francisco Louçã, às 20h45 na RTP1.


07
Set 09
publicado por brmf, às 19:30link do post | comentar

Os meus desejos eleitorais não podiam estar mais em sintonia com os do MEC, de acordo com a sua crónica no Público de hoje (via). Quem passa aqui pelo estaminé sabe que não vou à bola com este PSD: soa tudo a maledicência, a vazio, a uma mão-cheia de nada. Basta ler o Jamais para o confirmar. É uma escrita simplória, infantil, cheia de acne. Sabem aquela fase da juventude em que nem estamos de bem connosco nem com os outros? É isso que sinto neste PSD. É por isso que, de todas as possibilidades governativas que estão sobre a mesa, uma coligação pós-eleitoral PS-CDS é a que mais me agrada.

 

"...dou comigo a querer que o PS ganhe também nas legislativas. Que mal têm as maiorias relativas? Não será altura de pôr fim ao culto do absolutismo? Que mal têm as coligações? As coligações são triunfos políticos: a melhor seria PS/CDS. (...) Veja-se o debate de José Sócrates com Paulo Portas. Admiram-se; entendem-se; são inteligentes. São os dois melhores políticos que temos. O PSD está em obras e seria feio falar dele neste momento difícil. (...)

O melhor resultado possível, na minha opinião, seria uma maioria relativa do PS. Mas há outros bons resultados possíveis.
São só eleições: alguma coisa se há-de arranjar. É para isso que elas servem."

 

A minha dúvida é: qual o voto que mais pode contribuir para esta solução?


publicado por brmf, às 10:52link do post | comentar

Debate MFL-Louçã

 

No debate de ontem entre Francisco Louça e Manuela Ferreira Leite, o líder bloquista acusou o PSD de querer privatizar parte da Segurança Social. A MFL refutou a acusação. Aliás, para quem é de famílias políticas tão díspares, eles concordaram muitas vezes. Mas adiante. Abri o programa do PSD e o que lá vem escrito sobre a Segurança Social é o seguinte:


“Manteremos durante a próxima legislatura o regime da Segurança Social nos seus traços essenciais.

Estudaremos, porém, a introdução de medidas destinadas a que a pensão de reforma dos Portugueses passe a ser crescentemente encarada também como uma responsabilidade individual, como a informação periódica sobre a situação de cada titular ou o progressivo plafonamento do valor das contribuições e das pensões mais elevadas, sempre com integral respeito pelo princípio da confiança."

 

Lendo e relendo, não sei ao certo quem tem razão. O programa do PSD é tão vago, tão pouco comprometido, que não consigo compreender o que lá vem escrito - e não é só nesta matéria. Se numa primeira fase aparece “manteremos o regime”, numa segunda fase aparece “o progressivo plafonamento do valor das contribuições”. Alguém sabe ao certo interpretar isto? Eu não. Provavelmente será defeito meu. Para quem tanto se gabou de fazer um programa que todos pudessem ler, seria bom escrever de forma a que o comum dos mortais o conseguisse fazer. O programa é de facto pequeno; é pena não ser claro.

 

Já agora, um link interessante.

 

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ricochete


03
Set 09
publicado por brmf, às 17:10link do post | comentar

Vejo a oposição em polvorosa com a decisão da Prisa/TVI em suspender o Jornal Nacional de sexta. Asfixia Democrática, dizem de boca cheia. Alguém no seu perfeito juízo acha que foi Sócrates ou alguém do PS a pressionar no sentido de tal decisão a menos de um mês das eleições? Sócrates pode ser bom ou mau primeiro-ministro consoante as opiniões, mas não é burro. Por amor de Deus, qualquer um via que o único entalado com esta decisão seria Sócrates. Se o Sócrates é tão bom em propaganda quanto dizem, ele não cometeria um erro tão grande a menos de um mês das eleições

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ricochete

 

Só por causa do aproveitamento vergonhoso que a oposição está a fazer do caso da suspensão do Jornal Nacional das sextas na TVI, estou com uma vontade do caraças de votar no Sr. Engenheiro. Alguém que me segure.


publicado por brmf, às 11:01link do post | comentar

Vamos lá fazer uma vaquinha para oferecer um colar novo à Dra. Manuela? A Parfois tem coisas giras e baratas.

 


publicado por brmf, às 10:54link do post | comentar

O sexy

 


01
Set 09
publicado por brmf, às 11:31link do post | comentar

Acedi ao site do CDS-PP para descarregar e ler o seu programa eleitoral. Quando abri, reparei que tem 220 e qualquer coisa páginas. Desisti. Quando andava na escola e não gostava de uma obra arranjava o resumo dessa obra - ai que preguiça! -, será que ninguém do CDS me pode arranjar um resumo? É por gajos como eu que este país não avança.Também é preciso que se diga - repartamos as culpas - que há merdas que um gajo já sabe e que não passam de paleio lana-caprina engana tolos, o que, diga-se a bem da verdade, poupava umas páginas. E poupava que alguns desistissem de ler o programa.


"Não há Estado de Direito quando a sociedade não acredita na justiça. Não há liberdade individual quando não há segurança colectiva. Não há economia de mercado quando não há concorrência efectiva. Não há confiança no sistema financeiro quando o regulador do sistema financeiro não inspira confiança. Não há moral para exigir deveres aos cidadãos quando o Estado deixa sempre as suas responsabilidades por assumir"

 

Não ficava de bem com a minha consciência sem escrever que, apesar de, provavelmente, não ir votar CDS, o seu programa contem algumas ideias interessantes. Deixo alguns exemplos de medidas (caderno de encargos) com as quais concordo em matéria económica e fiscal.

 

- Introdução no IRS do desconto fiscal por filho (quociente familiar)

- Simplificar o sistema de abatimentos e deduções - falta detalhar, mas o principio é bom.

- Pagamento obrigatório de juros de mora, decorridos 30 dias sobre o prazo de pagamento da factura.

- Redução significativa do número e espécie de empresas municipais.

 

(aos leitores tão preguiçosos quanto eu, aconselho a focarem a sua atenção no cadernos de encargos do programa do CDS. Está lá tudo que interessa - sem os floreados habituais dos programas eleitorais - e lê-se num instante).

 


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