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Fev 07
publicado por brmf, às 22:04link do post

A dois dias do referendo já todos os argumentos foram referidos de parte a parte. Como já todos sabem o meu voto é SIM. O meu voto só poderia ser SIM sendo eu um liberal. Eu, um leigo em ciência política, ou melhor, um aprendiz, sempre tive para mim que o liberalismo baseia-se no respeito pela responsabilidade individual e pela crença nessa mesma responsabilidade. O facto de eu acreditar que, na maioria das ocasiões, o Homem tomará a melhor decisão é que me faz sentir liberal. Não sei se sou liberal ou não, sei que me sinto liberal.

Acreditar que uma mulher fará um aborto de ânimo leve é não acreditar numa visão liberal da sociedade. Como é que eu posso acreditar na responsabilidade individual na economia se não acredito nessa mesma responsabilidade quando falamos de questões ético-morais? Não faz sentido. A economia também é ética e moral.

Os argumentos que me levam a votar SIM já foram todos explanados nos posts anteriores. Resumem-se a duas palavras: hipocrisia e consciência.

Hipocrisia porque temos uma lei que ninguém respeita e ninguém quer ver respeitada. Ninguém quer ver mulheres na cadeia por abortar. E não me venham com tretas do tipo: crime sem pena. Umas das grandes criticas que se faz ao País é o facto de muitas vezes parecer uma república das bananas, onde as leis não se fazem cumprir. Quando temos uma oportunidade para alterar este estado de coisas pelo menos numa matéria, parece que querem reviver essa república das bananas. A lei a ser aprovada, se o SIM ganhar, acabará com este estado de coisas e tornará mais fácil a aplicação da lei. Permitirá ao Estado ser mais exigente e sério na aplicação das leis. Se alguém infringir a lei poderá efectivamente ver-lhe ser aplicada uma pena - por esta razão é que talvez 12 semanas para interromper a gravidez fossem mais ajustadas, mas enfim…. Não desejo que ninguém vá preso por interromper a gravidez até às 10 semanas, mas já não me importo nada, ou menos, se alguém for preso por interromper a gravidez às 24 semanas.

Consciência porque é um acto de responsabilidade individual. A vitória do SIM permitirá que os do NÃO continuem a exercer a sua moral como bem entenderem, enquanto a vitória do NÃO não permitirá que os do lado do SIM possam exercer a sua consciência moral como bem entendem.

O meu voto não é um voto pela dignidade das mulheres, isso é uma treta. Feliz ou infelizmente só as mulheres têm a capacidade de gerar um filho. Portanto não acredito na tese da dignidade. O meu voto é pela liberdade enquanto acto de responsabilidade, nada mais.

Da conjugação destes factores e pela crença muito forte que o número de abortos a longo prazo não aumentará exponencialmente, o meu voto é SIM.

Custa-me ver a Direita liberal entrar em ondas com os elementos da sua área política que defendem a alteração da lei como se os quisessem colar à Esquerda, aliás, falam muitas vezes em extrema-esquerda. Esquecendo por momentos a questão central do tema, e colocando a questão politicamente, esta é uma oportunidade única para esvaziar a esquerda extremista de uma das suas últimas bandeiras fracturantes. Após o referendo, se o SIM ganhar, pouco restará à extrema-esquerda para oferecer ao país real (uma ou outra causa mais). Em matéria de questões do desenvolvimento efectivo do País nada têm para dar e aí o seu trabalho será inócuo. Nada mais restará a esta Esquerda. Menos uns poucos para atrapalhar, pois o povo não dorme. Até podem ter piada mas ninguém acredita neles enquanto solução de sociedade.

SIM. Porque SIM ainda é SIM e NÂO ainda é NÂO. É tempo de reflectir. Até Domingo.

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