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Mar 06
publicado por brmf, às 15:22link do post | comentar

Leio no suplemento de negócios do Jornal de Notícias (via The Wall Street Journal) que uma peça de teatro de Voltaire escrita há 265 anos e apresentada por estes dias numa cidade francesa criou grande celeuma entre a comunidade muçulmana.

 

Seguindo-me pela palavras do artigo (desconhecendo eu o teor do dito texto), diz-se que a peça intitulada "Fanatismo, ou Maomé é o Profeta" usa o fundador do Islão para satirizar todas as formas de furor religioso e intolerância. 

 

Esta peça criou rápidas inflamações dentro da comunidade islâmica, argumentando esta que a "peça constitui um insulto à comunidade muçulmana no seu todo" (frase inserida numa carta enviada por uma associação muçulmana ao presidente da cidade onde a peça foi exibida). 

 

Segundo as palavras do artigo (e mais uma vez, repito, desconheço o teor do texto da peça) diz-se que a peça "Fanatismo" retrata Maomé como um tirano cruel com inclinação para as conquistas. O tema principal é o uso da religião para promover e mascarar as ambições políticas. 

 

Mais à frente no artigo diz que quando Voltaire escreveu a peça, em 1741, os religiosos da Igreja Católica Romana denunciaram  a obra como uma velado tratado anti-cristão. Os protestos (na altura) forçaram ao cancelamento de um espectáculo em Paris depois de três apresentações... 

 

A conclusão a retirar disto tudo é muito simples, por mais que se tente complicar. Ou seja, qualquer crente de uma qualquer religião (seja ela qual for) que seja um crente livre concordará com o principio do texto: na maior parte da vezes, a religião quando utilizada pelo poder político ou outro não é mais do que um pretexto para ambições que de religiosas têm muito pouco. Por isso, todos eles, deviam saudar textos que chamam a atenção para uma realidade que é incontestável. Como refere o artigo, o que se passa agora no islão passou-se à poucos séculos atrás no ocidente em concreto nas religiões descendentes do cristianismo. Aliás, a igreja católica não tem lições de moral a dar a ninguém. Algumas das maiores atrocidades da sociedade foram perpetuadas sob o espectro do catolicismo, a Inquisição católica. 

 

Como dizem os defensores de Voltaire, e nos quais eu me incluo, pelo menos neste caso em concreto - desconheço a obra de Voltaire -, a obra representa um manifesto pela liberdade e razão e deveria ser interpretada não tanto como um ataque contra o Islão, mas antes como um ataque codificado contra os dogmas religiosos que mancharam a história europeia com conflitos sangrentos. 

 

 

Nota 1: este post foi escrito de acordo com o teor do artigo do The Wall Street Journal

Nota 2: os meus conhecimentos sobre religiões são muito diminutos, por isso, desculpo-me desde já de algum erro factual. É pura opinião.  

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"A França, de acordo com valores do Banco Mundial, tem um índice de rigidez laboral de 66, muito acima dos 35,8 registados no grupo dos países mais ricos da OCDE.
......

Por muito que todos desejássemos que fosse diferente, criar dificuldades no despedimento reduz o número de empregos num país e a produção de quem está a trabalhar. Podíamos, na União Europeia, ser mais ricos. Mas não somos porque insistimos na utopia do emprego blindado." por Helena Garrido no DN (vale a pena a leitura integral do artigo)

 

Nota: E olhem que eu faço parte da geração Kleenex

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