Apesar de ser, porventura, a ministra (uma das duas ministras do actual governo de 17, pese a política de paridade imposta) menos conhecida do grande público quando este governo tomou posse revela uma coragem que convém realçar. Apesar de, em algumas matérias não ter razão, por exemplo, os professores têm razão quando escrevem coisas como: “a escola pública está-se a esvaziar de alunos oriundos das classes média, média alta e alta. Está-se a transformar num centro social para as classes sociais mais desfavorecidas” (professora, no Abrupto), isto é um facto e a única forma de acabar com isto é alterar o status quo do sistema, é necessário poder permitir que os pais possam escolher a escola que quiserem para os seus filhos, seja pública ou privada. Caso contrário, continuaremos a criar guetos escolares, onde a qualidade de ensino nunca poderá ser a melhor e onde os professores nunca se sentirão completamente empenhados a darem o seu melhor, os professores são veículos de conhecimento, não são educadores de crianças mal-educadas.
Crer que isto é uma política liberal e de favorecimento das famílias mais abastadas é um erro. Os mais abastados poderão sempre pagar mais e colocar os seus filhos em colégios privados pagos a peso de ouro onde a educação dos seus filhos será, tendencialmente, de maior qualidade. Quais os pais que não querem o melhor para os seus filhos? Todos. Mas, desta forma, só os mais ricos poderão proporcionar uma melhor educação aos seus filhos. Com o sistema actual, o que produzimos é um sistema de ensino a duas velocidades, um sistema privado de melhor qualidade para os mais ricos (para confirmar esta tese basta ver a classificação anual das escolas. As escolas privadas têm recorrentemente melhores posições que as públicas); e um sistema de inferior qualidade para pobres.
Nas últimas décadas deu-se uma massificação no ensino; agora, com o andar da carruagem dar-se-á a massificação do desensino.
A ministra focou pontos relevantes, criticou com coragem; falta ter a mesma coragem para impor as reformas que se impõe; é certo que estas reformas não dependem só de si mas de todo o governo em geral; mas se defender as reformas mesmo que não a deixem executar, já terá o meu respeito.