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Jan 09
publicado por brmf, às 15:45link do post | comentar

"Do meu ponto de vista, houve um momento em que aquele muro de argumentação em que Sócrates se transforma sempre que dá uma entrevista abriu uma brecha.(...)

Foi quando o jornalista José Gomes Ferreira lhe mostrou um gráfico retirado do próprio Orçamento do Estado. Ali estavam duas linhas: numa, o que o Estado em 2008 tinha previsto pagar futuramente em parcerias público-privadas nas Obras Públicas; noutra, aquilo que o Estado prevê, agora em 2009.
Ambas as linhas se prolongam até 2038 ("no longo prazo estaremos todos mortos", dizia Keynes), mas enquanto a primeira tinha o seu pico em 2010, mantendo-se até 2018 e depois descendo acentuadamente, a segunda tem o seu pico em 2015 (já depois da próxima legislatura) mantém-se assim ainda uns anos e passa o essencial dos pagamentos para um futuro mais distante.
Dir-se-á que Sócrates deixou de fazer política para os nossos filhos e passou a fazê-la para os nossos netos, apresentando a factura aos governantes que lhe hão-de suceder, lá para meio do século XXI.
É certo que as grandes obras são transgeracionais, mas manda a prudência que sejam devidamente discutidas, assumidas por consenso e não fruto de um mero voluntarismo momentâneo que, por mero acaso, ocorre em ano eleitoral.
A verdade é que o primeiro-ministro, perante aqueles factos tão concretos, apenas conseguiu responder qualquer coisa como "irresponsável seria não fazer as obras". Talvez seja verdade...
Não sei se as minhas netas, lá para meados do século, pensarão o mesmo. Mas elas, é claro, por ora não votam."

 

(Henrique Monteiro, no Expresso)

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